Nem sempre...
- paulasuzigan
- 30 de jul. de 2024
- 2 min de leitura
Nem sempre quis ser mãe.Demorei muito tempo para desejar a maternidade, isso porque não consegui me desapegar da minha infância.
Além disso, não haviam incentivos para a maternidade, nunca me pareceu uma promessa de vida feliz.
Quando você vai ser mãe?
Ainda me lembro do vídeo exibido na escola, no oitavo ano, sobre um parto natural cheio de berros, expressões de dor, sangue, e uma cabeça enorme saindo de lá. Imagino que o objetivo era prevenir gestação na adolescência e usaram o trauma psicológico…rss
Eu ainda me lembro de muitas queixas dos meus pais por se sentirem cansados ao cuidar e educar seus filhos.
Também lembro as dores do divórcio dos meus pais.
Consigo lembrar dos olhares amedrontados das famílias que entravam na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal onde eu trabalhei. A clínica deixou-me registrada a dor daquelas mães que levavam seus filhos para fazer fisioterapia em vez de brincar no parquinho.
Nunca vou esquecer quando fui ao velório de um paciente meu de dois anos de idade e quando a mãe me viu desmoronou-se a chorar em meus braços e me disse: "Paula, Deus levou o nosso menino!" NOSSO MENINO dito em tristeza que nunca mais saiu de mim.
O que me fez mudar de ideia foi uma criança que conheci aos 20 anos de idade.
Quis adotá-la, quis com todas as minhas forças zelar e amar aquela menina de 2 anos e lamento até hoje não poder ser a sua mãe. Eu não via uma criança portadora de deficiência física, eu via uma pessoa iluminada que precisava de alguém para proteger a sua luz. Hoje sou grata pela semente que ela plantou no meu coração e que tanto me fez mudar, me fez querer tornar-me mãe.
Hoje sou a mãe do Gabriel, e posso te dizer que ele me curou muitas feridas, me faz olhar para o hoje com gratidão.
Ser mãe me trouxe o exercício diário e árduo do autoconhecimento, olhar para aquilo que eu não queria olhar dentro de mim, aceitar e trabalhar, porque eu quero viver melhor pelo meu filho, quero estar aqui em plena saúde física e mental para me desenvolver tal como ele.
Por uma infância mais saudável e feliz, e uma parentalidade mais leve e consciente,
Ft. Dra. Paula Suzigan.


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